Hábitos e preferências alimentares dos gatos

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10 de março de 2019

Hábitos e preferências alimentares dos gatos

A domesticação dos gatos ocorreu há mais de 9 mil anos, entretanto o gato doméstico mantém os hábitos alimentares dos antepassados, isto é, são carnívoros estritos. O precursor do gato doméstico vivia em regiões de clima árido, onde as necessidades hídricas, energéticas, e nutricionais eram obtidos através da caça de pequenos animais, como por exemplo, o camundongo. Essa é uma dieta que possui alto valor protéico, moderado nível de gordura e baixo conteúdo de carboidratos, com alto teor de umidade. Ou seja, a baixa ingestão de água pelos gatos está diretamente ligada aos hábitos predatórios, com grande parte da água ingesta proveniente do tecido animal (camundongo com 76% de umidade em comparação a 10% de umidade da ração).
Em 1996, realizou-se um estudo com gatos domésticos e selvagens, demonstrando que os domésticos tem menor preferência por carne crua quando comparados a gatos selvagens, que preferem a carne crua em relação à cozida ou industrializada.
Os pesquisadores Bradshaw e colaboradores identificaram 3 padrões específicos do comportamento alimentar dos felinos, que são: comportamento instintivo, comportamento nutricional adquirido e ao comportamento natural inato.
O comportamento nutricional instintivo está ligado ao hábito da caça à noite, e ao fato de ser várias pequenas presas (em média o camundongo possui 8% do requerimento de energia diária). Sendo assim, o gato caça em torno de 6 a 8h por dia, e dorme no restante do tempo (12 a 16h), para repor e poupar energia. Ainda sim, não deve-se oferecer alimento à vontade, pois pode desencadear obesidade, ou camuflar um quadro de anorexia.
O comportamento nutricional adquirido está ligado ao comportamento pré-natal, pós-natal e pelas experiências nutricionais ao longo da vida do felino. Na fase de desmame é quando ocorre maior aceitabilidade a novos sabores: os filhotes reproduzem os hábitos alimentares maternos, isto é, não selecionam os alimentos mais palatáveis e sim os que a mãe ingeriu. Assim, é importante diversificar a dieta da gata-mãe e dos filhotes com vários sabores, texturas e aroma, evitando futuros problemas de anorexia, em caso de dietas restritivas.
Já o comportamento nutricional inato se refere à forma que os gatos se adaptam ao meio: através da neofilia (preferência por alimento desconhecido), ou neofobia (quando evitam alimentos que não convém, em casos de estresse, como por exemplo, a hospitalização). Também ocorre mais duas seleções antagônicas entre si: seleção apostática (quando seleciona os alimentos que estão mais abundantes), ou seleção antiapostática (quando prefere os alimentos mais singulares).
Os gatos podem recusar-se a seguir uma dieta devido à diferenças mínimas na composição dos alimentos. A palatabilidade inicia-se pelo odor, seguido da textura e sabor. Assim, é importante estimular a alimentação do gato sênior e geriátrico com alimentos ricos em aromas, já que o olfato é o primeiro sentido a ser afetado com a idade. E ofertar os alimentos em locais longe de possíveis odores que possam interferer na palatabilidade, ao fazer o animal associar ao alimento ao mau odor. Por isso, a indústria concentra recursos e pesquisas voltadas para a palatabilidade. A reação de Maillard (formada durante o aquecimento) aumenta a palatabilidade, enquanto a oxidação lipídica a reduz.
Como recomendações gerais, é importante diversificar a dieta da gata-mãe e dos filhotes com relação aos sabores, texturas e aromas, e se atentar à palatabilidade de algumas dietas, pois podem aumentar a incidência de obesidade, se o tutor não controlar a quantidade energética diária.

– Natália Trindade Dominguez Zootecnista
Graduada pela UFV
Pós-graduanda em Nutrição de Cães e Gatos

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